Escrevemos e publicamos a nossa Confissão de Fé para tornar público e notório a nossa crença. Ela está firmada nas Escrituras Sagradas e no princípio teológico de fé reformada.

Assim Cremos…

1.   Nas Escrituras Sagradas, a Bíblia Sagrada, Antigo e Novo testamentos, como a Palavra de Deus infalível, que temos como nossa única regra de fé e prática.  Entendemos que o método de interpretação Histórico Gramatical é o mais adequado, pois preserva a integridade do texto sagrado e promove uma hermenêutica sadia. Ela é a fonte de sabedoria e compreensão para aqueles que a amam e a praticam.

2.   Que a Teologia Reformada é uma forma bíblica consistente de compreensão, a qual abraçamos, e trás em si sólidas bases para o ensino sistemático da Palavra de Deus, garantindo a centralidade de Cristo e seus ensinos.

3.   No Deus triuno, três pessoas de mesma essência, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Eles subsistem em um só, mas se manifestam em três pessoas distintas, revelando que a economia da Trindade Santa se releva à sua criação de forma harmoniosa e perfeita.

4.   Que o Deus Trino criou o universo pela sua vontade, através de sua Palavra, e tudo veio a existir por sua perfeita e exclusiva vontade soberana, e que ele sustenta, intervém e governa a história e sua criação de forma amorosa até o fim, cumprindo todos os seus decretos eternos.

5.   Que os seres humanos, todos sem exceção e a despeito de gênero e raça, foram criados à imagem e semelhança de Deus, e mesmo após a queda, carregam esta imagem em si, apesar de ofuscada pelo pecado.

6.   Que o ser humano, criado a imagem e semelhança de Deus, não pode ser dividido em partes, dicotomizando-o ou tricotomizando-o, como insistem alguns. Ele é uma unidade psicossomática e inteira. Neste quesito somos Holistas, entendendo que, apesar de haver uma estrutura material e uma estrutura imaterial convivendo harmonicamente e indivisivelmente na existência humana, o ser humano foi criado como um todo.

7.   Que o pecado entrou na humanidade pela desobediência de nossos primeiros pais, e que toda a criação foi tremendamente afetada por ele. A morte entrou na história da humanidade e ninguém pode alcançar salvação a não ser por um chamado irresistível de Deus, que dá vida pela sua livre e soberana escolha.

8.   Por morte entendemos a separação da humanidade de seu criador e a separação entre nossa estrutura corpórea e a imaterial, quando da morte física. Na queda, com o pecado, a morte separou o homem de Deus, e o homem de si mesmo.

9.   Que após a queda não há no interior do ser humano nenhuma capacidade ou virtude para alcançar a Deus e sua salvação. A ação é exclusiva de Deus; começa e termina com ele. Neste caso somos Agostinianos, em oposição aos Pelagianos. Este é o conceito de Depravação Total na Teologia Reformada.

10.      Que antes mesmo do pecado entrar na história da humanidade, Deus já havia provisionado salvação em Cristo Jesus para seus eleitos. Deus é o Deus de toda a eternidade e nada, nada mesmo, o surpreendeu. Neste aspecto somos supralapsarianos, em oposição aos Infralapsarianos, pois cremos que a condenação é, antes de tudo, um ato da soberania divina, e somente secundariamente um ato da sua justiça. Não nos alinhamos a teologia conhecida como Hiper Calvinismo, mas na eleição eterna dos santos e santificados por Deus, pois a eleição precede a Reprovação, e a Reprovação revela a Eleição.

11.      Na Eleição Incondicional Deus escolheu livremente os seus eleitos dentre todos os mortais pecadores, e os predestinou conforme sua graça maravilhosa. O céu está sendo preparado para os eleitos, que foram escolhidos antes da fundação do mundo, e esta decisão da escolha é estritamente de Deus e de mais ninguém. Isso confirma que fomos escolhidos não por mérito próprio, mas por graça exclusivamente.

12.      Que na queda o ser humano perdeu o Livre Arbítrio para alcançar por si mesmo a salvação, restando-lhe, entretanto, a Livre Agência, para que possa tomar decisões eticamente e moralmente corretas, sempre, limitado à sua condição pecaminosa.

13.      Que pela graça, e somente pela graça, através da fé, somos salvos da ira divina e recebemos salvação eterna. Esta graça é irresistível, pois quando Deus chama, ele mesmo provê os meios para uma resposta positiva à tamanha graça. Ele é quem dá a vida e nos chama para ela.

14.      Que para manter seu plano perfeito, o Deus fidelíssimo decidiu fazer um pacto com a humanidade caída para preservá-la e salvá-la, movido por seu imenso amor por nós. Pacto este decretado antes da fundação do mundo, sendo Deus mesmo o fiel depositário desta aliança eterna com sua criação.

15.      Na Expiação Limitada, ou Definida, que diz que a morte de Cristo foi um ato de expiar os pecados que teve sucesso total, não uma tentativa parcialmente falha. Deus não desperdiçou uma gota sequer do sangue de Jesus, que salvou a todos por quem ele morreu. A visão reformada sustenta que a expiação de Cristo foi destinada e tencionada somente para os eleitos. Cristo deu sua vida exclusivamente por suas ovelhas, salvando-as todas, e é assim que cremos.

16.      Que a todos quantos receberam graciosamente o dom da vida, consequentemente a salvação em Cristo, continuarão firmes no caminho da salvação, e por serem eles o objeto do eterno decreto da eleição e por serem eles o objeto da expiação realizada por Cristo, perseverarão até o fim, visto que o mesmo poder de Deus que os salvou os preservará e os santificará até o final. A Perseverança dos santos é fato ocorrido na eternidade pelo ato soberano de Deus.

17.      O nosso entendimento da Ordo Salutis reformada é a forma mais adequada de compreender a ação de Deus em nosso favor. Essa é a ordem de como acontece a Salvação, um exercício intelectual de compreender didaticamente, pedagogicamente, como Deus age em nosso favor. Há outras maneiras de se compreender esta ordem, contudo é assim que a compreendemos: (1) Eleição: Deus, em sua soberania e presciência, escolhe, antes da fundação do mundo, aqueles pecadores que seriam salvos pela graça => Romanos 8.29-30, 9.1-25; Efésios 1:3-14; 2 Tessalonicenses 2:12-13. (2) Chamado: Deus, pela proclamação da Palavra, chama aqueles que Ele mesmo escolheu, e estes respondem com fé salvadora, que o próprio Deus gera no coração do homem; (3) Regeneração: Deus aplica o novo nascimento, ou seja, concede vida ao que foi chamado, que outrora estava morto em seus delitos e pecados. O Chamado e Regeneração ocorrem simultaneamente. A ordem aqui é meramente didática => João 1.12-13, 3.1-10, 6.44-45, 63-65; Efésios 2.1-5; Tito 3.3-6; Romanos 8.30; (4) Conversão (Arrependimento e Fé): Deus move nosso coração e mente para responder positivamente ao chamado do evangelho, arrependendo-nos dos pecados e colocando nossa fé em Cristo => Atos 20.21; Efésios 2.8-9; Filipenses 1.29; Atos 13.48, 16.14, 18.27; Tiago 2.14; Atos 5.31, 11.18; 2 Coríntios 7.10-11; (5) Justificação: Deus nos declara justos, perdoando os nossos pecados e imputando a justiça de Cristo a nós. Declaração forense e imutável => Deuteronômio 25.1; Atos 10.43; Provérbios 17.15; Romanos 3.21, 4.8, 5.1-2, 5.12-18, 8.32; Gálatas 2.16, 3.1-13; 2 Coríntios 5.21; Filipenses 3.9; (6) Adoção: Deus nos adota como filhos, nos tornando membros de sua família. Agora não mais escravos de satanás, mas filhos de Deus => Romanos 8.15-17, 23-25; Gálatas 4.1-5; João 1.12-13, 8.40-59; 1 João 3.1-2; (7) Santificação Definitiva e progressiva: A primeira (Levítico 11.44; Mateus 5-7; Romanos 1.3; Efésios 4-5; Filipenses 2.1-13; 1 Coríntios 13; Gálatas 5.16-23; 1 Pedro 1.15-16; 2 Pedro 1.1-10; 2 Pedro 3.18) Deus nos separa e santifica de uma vez por todas (tem aspectos escatológicos – “já, mas ainda não”); a segunda (João 10.26-30; Romanos 6; 1 Coríntios 1.2, 6.9-12), a cada dia Deus vai nos tornando mais santos, conforme a imagem de Jesus Cristo, a medida que renunciamos o pecado. É um trabalho de Deus, mas que nós temos nossa responsabilidade também. (8) Perseverança dos Santos: Deus é que vai nos sustentar durante nossa caminhada aqui na terra. Todos aqueles que foram regenerados e justificados por Deus, irão perseverar até o fim de suas vidas. Nenhum salvo perde sua salvação, pois o trabalho é de Deus => Jeremias 32.40; João 6.37-40, 10.26-30; Romanos 8.30-39; Filipenses 1.6; 1 João 3.9; (9) Glorificação: Deus finalmente vai remover todo vestígio e traços do pecado que ainda permanece em nós, e vai nos dar um corpo glorificado, ressurreto, e viveremos eternamente com Ele => Mateus 25; 1 Tessalonicenses 4.13-18; 2 Coríntios 5.1-8; Filipenses 1.23, 3.20-21; 1 João 3.1-3; Apocalipse 6.9-10.

18.      Que a vida eterna é conhecer a Deus e crer em seu filho, Jesus Cristo, e que ela começa aqui na existência humana, e continua pela eternidade quando do final das coisas terrenas como elas são hoje.

19.      Que Jesus veio em carne, nascido de mulher e pela ação do Espírito Santo foi concebido em forma humana, contudo sempre manteve sua divindade eterna. Ele é totalmente homem e totalmente Deus, confirmando a decisão do Concílio de Niceia (325 d.C.) que diz que Jesus era “homoousios” com o Pai (Homo = mesma; ousios = substancia). Rejeitamos, assim, toda forma de Arianismo ou Semi Arianismo, pois Jesus Cristo é homem, e também Deus.

20.      Que Jesus Cristo sofreu as dores e tentações humanas, como qualquer outro ser humano, contudo se preservou santo e puro, sem pecado, para poder oferecer redenção a todo aquele que nele crer.

21.      Que ele sofreu a morte, foi sepultado, e ao terceiro dia ressurgiu, milagrosamente, dos mortos. Sua ressurreição é corpórea, contudo num corpo glorificado, do qual todos os salvos compartilharão num tempo ainda por vir.

22.      Que Jesus Cristo ressurreto, e somente ele, ascendeu aos céus e hoje está assentado à direita de Deus, de onde há de vir para julgar a todos.

23.      Que Jesus Cristo virá novamente, em sua segunda vida, e todo o olho o verá e toda língua confessará seu senhorio. Jesus é Senhor de tudo e todos. Cremos que o milênio descrito nas Escrituras está sendo realizado, e que a era da Igreja de Jesus completará este ciclo. Neste aspecto somos Amilenistas (Milênio Realizado) em detrimento dos Pré Milenistas e Pós Milenistas.

24.      Que Jesus estabelecerá novos céus e nova terra, após a sua segunda vinda e julgamento final, onde todos os remidos viverão eternamente, em uma só família, em nosso corpo glorificado, semelhante ao de Jesus ressurreto. E que, de acordo com Apocalipse 21, este planeta será renovado com descortinar da Nova Jerusalém, onde os eleitos viverão eternamente com o Senhor Jesus.

25.      Que há condenação eterna para aqueles que não creram em Jesus, que também viverão eternamente na perdição, também em corpos transformados, longe de Deus e na presença de Satanás e seus anjos caídos. Este é o lago que arde em fogo e enxofre do qual João falou em Apocalipse.

26.      Na Igreja de Jesus, invisível e indivisível, que se compõe de todos os eleitos de Deus. Há uma parte dela que chamamos de Igreja Militante, a que está viva e atuando nas comunidades cristãs espalhadas por sobre a terra; há também a outra parte que se chama Igreja Triunfante, a que já descansa no Senhor e aguarda a definição final da história desta humanidade. O encontro final delas denomina-se Bodas do Cordeiro, a festa ao redor da mesa do Deus Triúno.

27.      Que o Senhor Jesus nos deixou dois sacramentos, a Santa Ceia, que pode ser definida como Eucaristia, e o Batismo com água. Eles carregam em si elementos da graça divina, que através dos mesmos, alimentam e sustentam o cristão em sua caminhada.

28.     Na Santa Ceia, o pão é pão, e o vinho é vinho, contudo, após serem abençoados e separados para o fim da comunhão, carregam a presença real, mas espiritual, do Cristo ressurreto. A visão Calvinista é maneira como entendemos esta Disputa Eucarística, que consiste em 4 posições, a saber: Transubstanciação, Consubstanciação, Memorial (ou Zwingliana), e a Calvinista (Presença Espiritual e real do Cristo ressurreto). A visão Calvinista significa que Jesus se encontra real e presente com a substância do pão e do vinho, sem modificá-las ou transformá-las, contudo, sua presença não é física, e sim espiritual.

29.     O Batismo é o sinal e o selo da Aliança da Graça, a entrada formal, pela graça, à igreja visível, e que o Espirito Santo divino é quem torna eficaz este sacramento, no tempo de Deus, para todos quantos o Senhor Jesus vier chamar. Portanto, o Batismo com Água não tem valor salvífico, e a água é somente o elemento material pelo qual a graça alcança os fiéis. A água é água comum, não havendo necessidade de ser benta, e que a quantidade dela não altera o efeito final de suas bênçãos.

30.      Aceitamos todas as formas de Batismos, ou seja, Aspersão, Infusão e Imersão, contudo priorizamos o Batismo por Aspersão.

31.      No Pedobatismo, ou batismo de crianças, como sendo ordenança bíblica, baseado na Aliança de Deus para com as famílias da fé, e que da mesma forma que o batismo de adultos, é somente pela graça, nada mais do que graça. Sendo assim, as crianças agraciadas podem, e devem ser batizadas, mesmo em tenra idade.

32.      Nas marcas da verdadeira Igreja de Cristo, que são (1) a fiel exposição e ensino sistemáticos das Escrituras Sagradas, (2) a correta administração dos sacramentos, e (3) na aplicação da disciplina no âmbito da comunidade da fé.

33.      No chamado Missional da Igreja Local e seus membros como instrumentos de Deus para abençoar as famílias da Aliança, bem como a comunidade onde ela está inserida.  Nessa premissa, cada pessoa é chamada a testemunhar e a viver o Evangelho onde está inserida, em sua realidade cotidiana. É a igreja voltada para fora, na busca do perdido, sendo sal e luz para as nações.

34.      Numa postura anticlericalista, ou seja, cremos no sacerdócio universal de todos os crentes. Na prática, as diferenças acontecem, não por hierarquia, mas por economia dos dons distribuídos livremente pelo o Espírito Santo à igreja. Somos todos ícones quebrados, alvos da graça bendita de Jesus, e assim devemos viver.

35.      Que o Espírito Santo distribui seus dons para o serviço da Causa de Cristo, e que são para a igreja de todos os tempos, contudo os dons chamados da Palavra (Línguas e Profecias) cessaram para seu efeito público, mas podem ser exercidos no âmbito devocional, não em cultos e reuniões públicas. Cremos que a cessação destes dons se deu em função do fechamento do Cannon Escriturístico, a Bíblia protestante como a conhecemos, que somente aconteceu no Concílio de Roma (382 d.C.). Com a Bíblia em mãos, estes dons perderam sua função para edificação coletiva da igreja.

36.      Que Deus deu líderes para cuidado de sua igreja, homens e mulheres, que pastoreiam, em diversas formas, o rebanho de Jesus na terra.

37.      Num sistema de administração Eclesiástica Presbiteral, cuja premissa básica é a democracia e representatividade, onde homens e mulheres eleitos pelo voto representam a comunidade nas decisões do cotidiano da vida da igreja.

38.      No IDE de Jesus, que ordenou que a Igreja fosse e pregasse o Evangelho transformador de Jesus, e que isso é responsabilidade de todos, não somente dos profissionais da Bíblia.

39.      Que os valores do Reino de Jesus devem ser pregados e vividos, por todos, para que eles alcancem todos os eleitos. Assim somos coparticipantes da obra redentora de Jesus, enquanto espalhamos a sua Boa Nova a todos e em todos os lugares.

Nisso cremos! E com fé e esperança caminhamos firmes na graça de Jesus, e como disse o apóstolo São Paulo, em Filipenses 3.12-14: 3.12: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

Maranata, vem Senhor Jesus! Assim, aguardamos ansiosos a gloriosa vinda de Jesus, nosso Senhor e Salvador, quando não mais precisaremos escrever Credos.

Belo Horizonte, 03 de Novembro de 2014.